SANTA MARIA — Um incêndio na boate Kiss, no Centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixou 232 mortos na madrugada deste domingo. No entanto, ainda há incerteza sobre o número correto de vítimas que, segundo as autoridades, só poderá ser esclarecido depois do reconhecimento dos corpos. Inicialmente foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros que o número de vítimas fatais era de 245.
Segundo o delegado Marcelo Arigony, responsável pela investigação, poderia haver muitos menores entre as vítimas, que teriam entrado na festa com identidade falsa, já que o evento era para maiores de 18 anos. A Globonews informou que a maior parte das vítimas tem entre 16 e 20 anos.
O major do Batalhão de Operações Especiais (BOE), Cleberson Braida Bastianello, afirmou que 116 pessoas estão hospitalizadas em decorrência do incêndio, que já é
o segundo maior da história do Brasil. Até o momento, a lista de mortos não foi divulgada oficialmente.
No momento da tragédia, havia entre 300 e 400 jovens no local, participando de uma festa universitária. A boate tem capacidade para duas mil pessoas. De acordo com a GloboNews, o dono do estabelecimento já se apresentou à polícia.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Guido Pedroso Melo, contou que cerca de 85 bombeiros que chegaram ao local da tragédia em Santa Maria encontraram dificuldades em entrar no local.
De acordo com Melo, os bombeiros resgataram cerca de 150 pessoas com vida de dentro da boate Kiss. Segundo ele, os profissionais encontraram dificuldades em entrar no local por haver "uma barreira de corpos" próximo à entrada da boate. Pedroso Melo revela que relatos de jovens teriam dito que a porta da boate teria demorado de cinco a dez segundos para ser liberada pelos seguranças da boate.
Quatro militares do Exército estão entre os mortos
Segundo informações preliminares do Ministério da Defesa, quatro militares do Exército estão entre os mortos no incêndio. Os nomes das vítimas ainda não foram revelados, mas a Defesa identificou que se trata de um capitão, um tenente e dois cabos. Nas próximas horas devem ser divulgadas mais informações a respeito do caso.
O fogo foi controlado por volta das 5h30m, mas às 7h ainda havia equipes no local, fazendo o trabalho de rescaldo. A polícia e o Corpo de Bombeiros apuram as circunstâncias que provocaram fogo. Segundo as primeiras informações divulgadas pelo
site G1, as chamas teriam começado por volta das 2h30m quando o vocalista da banda que se apresentava fez uma espécie de show pirotécnico. As faíscas atingiram a espuma do isolamento acústico e as chamas se espalharam. O secretário de Segurança do estado, Airton Michels, não confirmou a informação de que um show pirotécnico teria desencadeado o incêndio.
Seis hospitais fazem atendimento às vítimas
- Era uma porta pequena para muita gente sair - disse Luana Santos Silva, que estava na boate, à GloboNews.
- Chegou (socorro e polícia) tudo muito rápido - disse Aline Santos Silva, irmã de Luana.
Profissionais de saúde pedem à população que doe sangue nos hospitais. A cidade também precisa de voluntários como médicos e enfermeiros para atender os feridos. O
jornal “Zero Hora” divulgou uma lista com o nome de feridos que estão nos hospitais. Seis unidades estão fazendo o atendimento às vítimas. Parentes e amigos percorrem os hospitais em busca de notícias.
De acordo com o jornal "Zero Hora", nove vítimas já estão em Porto Alegre. Quatro foram levadas por helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) e outras cinco viajaram em um avião da FAB. Outros feridos devem ser levados para hospitais de Canoas.
O
“Diário de Santa Maria” informa que, no ginásio do Centro Desportivo Municipal (CDM), há um Comitê Gestor da Crise que tem dado apoio aos familiares. Centenas de amigos, pais e familiares estão no local em busca de informações. O procedimento, segundo o Instituto Geral de Perícias (IGP), é que as famílias se dirijam até o CDM e se identifiquem.
Tragédia em boate é a maior da história do RS
O jornal “Diário de Santa Maria” relata ainda que, na tentativa de identificar os nomes, o Instituto Geral de Perícias (IGP) tem colocado documentos de identificação — como identidade, carteira nacional de habilitação, entre outros — e celulares nos peitos destas vítimas. De acordo com relatos de servidores do IGP, muitos telefones dos mortos no ginásio tocam sem parar. O jornal “Zero Hora” informa que esta já é a maior tragédia do Rio Grande do Sul.
O Ministério da Saúde acionou a coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar as necessidades médicas de equipes, leitos e suprimentos para a tragédia no município de Santa Maria. Um grupo de profissionais especializados em situações de catástrofe está se dirigindo de Brasília ao local para atuar no caso.
A Polícia Militar do Rio Grande do Sul, segundo informações do site do jornal "Zero Hora", descolou um grupo de bombeiros que estava trabalhando na "Operação Golfinho", que atua como salva-vidas no Litoral Norte do estado. Segundo informações preliminares, estes bombeiros vão ajudar a resgatar mais vítimas que poderiam existir nos escombros da boate. Não foi divulgado o número de agentes remanejados.
Plano de Prevenção e Controle de Incêndios estava vencido
Santa Maria é uma cidade universitária porque concentra muitas pessoas da região e até de outros estados que vão estudar. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ainda estava em aulas, devido à greve de 2012. Então, é provável que muitos estudantes estivessem na boate, que começou a queimar por volta das 2h, segundo a Brigada Militar. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, decretou luto oficial de sete dias por conta da tragédia.